As gêmeas assassinas que chocaram o mundo
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| As assassinas Pauline Parker (esquerda), 16 anos, e sua melhor amiga Juliet Hulme, 15 anos - Fotos reprodução redes sociais |
Quem eram Juliet e Pauline as amigas assassinas
Juliet Hulme e Pauline Parker se conheceram na adolescência, em 1952, e logo se tornaram inseparáveis. As duas compartilhavam sonhos, diários e até um mundo imaginário que criaram juntas, chamado “Borovnia”. Viviam imersas em fantasia, acreditando que tinham uma conexão espiritual única. Para os adultos ao redor, aquela amizade parecia apenas muito próxima, mas o que ninguém sabia é que ela escondia uma relação de dependência emocional perigosa, que aos poucos começou a fugir do controle.
O plano mortal
Quando os pais de Juliet decidiram se separar e enviá-la para o exterior, Pauline entrou em desespero. A ideia de ficar longe da amiga era insuportável. Foi então que ambas criaram um plano terrível: eliminar qualquer pessoa que tentasse separá-las. A escolhida foi a mãe de Pauline, Honora Parker, que se opunha à amizade das duas. O crime foi minuciosamente planejado, e os detalhes escritos no diário de Pauline revelaram a frieza e a obsessão que dominavam suas mentes.
O assassinato
No dia 22 de junho de 1954, Juliet e Pauline atraíram Honora para um passeio em um parque na cidade de Christchurch. Durante o caminho, aproveitaram um momento de distração e a atacaram brutalmente com uma pedra dentro de uma meia, golpeando-a mais de vinte vezes. Tentaram forjar um acidente, mas a investigação rapidamente revelou a verdade. A cena do crime, o diário de Pauline e o comportamento das jovens chocaram até os investigadores mais experientes.
O julgamento e a condenação
O julgamento foi um verdadeiro espetáculo público. As duas meninas, com apenas 15 e 16 anos, foram julgadas por assassinato. A defesa tentou argumentar que sofriam de delírios compartilhados, mas o tribunal as considerou plenamente responsáveis. Foram condenadas à prisão e cumpriram cinco anos em reformatórios diferentes, proibidas de ter qualquer contato uma com a outra após a libertação. Juliet mudou de nome e, anos depois, se tornou escritora. Pauline viveu uma vida discreta, longe dos holofotes.
Reflexão sobre o caso
O caso das gêmeas assassinas levanta questões profundas sobre a influência emocional e psicológica entre adolescentes, os limites da amizade e a fragilidade da mente humana. Até onde pode ir uma ligação quando se transforma em obsessão? A história de Juliet e Pauline inspirou o filme “Criaturas Celestiais”, de Peter Jackson, e continua sendo estudada por criminologistas e psicólogos como um exemplo raro de delírio compartilhado — uma loucura dividida entre duas pessoas que perderam o controle da própria realidade.
Conclusão
A história das gêmeas assassinas é um lembrete sombrio de que nem todo vínculo intenso é saudável. O que começou como amizade se transformou em obsessão, e o desejo de permanecerem juntas custou uma vida e destruiu duas outras. O caso de Juliet Hulme e Pauline Parker ecoa até hoje como um retrato assustador da mente humana quando dominada pela paixão e pelo medo da solidão.
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